O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28), por meio de aliados, uma carta em que se declara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e fala em “fraude eleitoral”, sem apresentar provas. A mensagem foi publicada depois de ele ser derrotado pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo (25), e de desembarcar em Miami, nos Estados Unidos.
O que diz a carta
No texto, Flávio se dirige “ao povo brasileiro e à comunidade internacional” e afirma que viu uma fraude eleitoral “se concretizar” no domingo. Ele também defende a cassação da chapa vencedora, de Lula e Geraldo Alckmin (PSB), sob o argumento de uso indevido da máquina pública e de abuso de poder político e econômico, novamente sem apresentar provas. Para sustentar a alegação de fraude, mencionou a extensão do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de interrupções no transporte público em várias capitais no dia da eleição.
O senador agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela ajuda durante sua saída do país, e ao povo americano pelo acolhimento. Também afirma que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sofre perseguição política.
Críticas ao STF
Flávio acusa o STF de perseguição política e diz que as medidas cautelares aplicadas contra ele, entre elas a apreensão de passaportes e a proibição de deixar o país, foram acionadas apenas sete minutos depois da confirmação do resultado. A saída para os Estados Unidos acontece em meio a investigações no Supremo e a apurações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas. Segundo reportagens, o irmão dele, Eduardo Bolsonaro, já havia aconselhado que deixasse o país em caso de derrota.
O senador nega ter fugido. Ele diz que saiu do Brasil para evitar a censura e se manter ativo como liderança política.
Mudança de postura
A carta contrasta com declarações anteriores. Na segunda-feira (26), Flávio havia dito que desistiria de tentar anular o resultado da eleição e que não pretendia deixar o país.
Versão alterada horas depois
Pouco tempo depois da divulgação, circulou uma nova versão do documento em que Flávio deixa de se declarar presidente eleito e passa a se apresentar como “líder do Brasil”. A frase sobre os “criminosos que roubaram a eleição” foi mantida, segundo o Terra.
O resultado das urnas
No segundo turno, Flávio recebeu 59.826.041 votos, o equivalente a 48,21% do total. A diferença para Lula foi de cerca de 4,4 milhões de votos.






