Pela primeira vez desde 2007, o Brasil deixou de ter reservas internacionais suficientes para cobrir a dívida externa. Dados do Banco Central mostram que, no segundo trimestre de 2026, a dívida externa líquida ficou positiva em US$ 5,1 bilhões, o que encerra uma sequência de 19 anos que atravessou a crise financeira de 2008, a recessão de 2014 a 2016 e a pandemia.
O que isso quer dizer
Na prática, o país passou a dever ao exterior um valor maior do que o conjunto de reservas e outros ativos considerados no cálculo. Em junho, a dívida externa bruta estava em US$ 407,1 bilhões, enquanto as reservas internacionais somavam US$ 402 bilhões. A diferença de US$ 5,1 bilhões marca o fim da condição de credor externo líquido, que o Brasil mantinha desde 2007.
O texto destaca que isso não significa que o país esteja perto de ficar sem dólares para pagar seus compromissos. As reservas seguem funcionando como uma proteção contra choques externos, oscilações do câmbio e interrupções na entrada de recursos. Mas a margem de segurança que o país tinha nas últimas duas décadas ficou menor.
Como a diferença diminuiu ao longo dos anos
A situação das contas externas piora desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em janeiro de 2023, as reservas superavam a dívida externa em US$ 27,5 bilhões. A diferença chegou a quase US$ 40 bilhões no primeiro trimestre de 2023 e, desde então, vem em tendência de queda.
A matéria ressalta que o problema não é isolado: os últimos governos, com exceção do de Michel Temer (MDB), foram marcados por redução dessa vantagem. No fim do segundo mandato de Lula, em 2010, ela era de US$ 50,6 bilhões. Ao final do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em 2014, havia caído 9,7%, para US$ 45,7 bilhões. Depois houve recuperação, e, quando Temer deixou o cargo, no quarto trimestre de 2018, o saldo era de US$ 67,4 bilhões.
Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a diferença chegou ao pico de US$ 82,4 bilhões no segundo trimestre de 2019, foi reduzida na pandemia e terminou o mandato em US$ 27,5 bilhões.






