Empresas brasileiras que dependem das exportações para os Estados Unidos (EUA) intensificam a pressão para que o governo brasileiro avance nas negociações com a administração do presidente Donald Trump, buscando a redução das tarifas recentemente impostas. Enquanto o impasse persiste, o setor privado já começa a traçar estratégias para mitigar os impactos das novas alíquotas.
Desde a última segunda-feira (7), uma tarifa mínima de 10% incide sobre praticamente todos os produtos brasileiros que ingressam nos EUA, com exceção do petróleo e seus derivados. A medida, que afeta negócios de pequeno, médio e grande porte, tem gerado preocupação e a busca por soluções alternativas.
Grandes Empresas Miram Diversificação Global
Pedro Brites, professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que grandes empresas exportadoras podem considerar a abertura de novos escritórios regionais em diferentes partes do mundo como uma estratégia para contornar os obstáculos tarifários. Em entrevista ao UOL, o docente destacou que o momento é oportuno para essa diversificação.
“É interessante para empresas exportadoras de carne, por exemplo, aproveitar o momento para se instalar em novos mercados. A necessidade de diversificação deixa a empresa menos vulnerável a mudanças futuras, inclusive novos possíveis anúncios por parte do governo Trump”, explicou Brites.
PMEs Buscam Apoio em Associações e Agências de Fomento
Pequenas e médias empresas (PMEs) exportadoras tendem a ser as mais vulneráveis às alterações na política tributária americana. O especialista sugere que essas companhias busquem articulação e apoio junto a associações de classe e agências de fomento, como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), para encontrar caminhos e possíveis soluções.
Setor Privado e Governo em Fase de Negociação e Observação
Associações setoriais, empresas e o governo brasileiro têm se dedicado a intensas negociações com o lado americano. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou que tem havido uma boa interlocução entre os setores, as associações e o governo federal.
“O governo está correto em negociar à exaustão antes de tomar qualquer medida de retaliações. Estamos em um período de observação”, declarou Velloso, sinalizando uma postura cautelosa do Brasil enquanto busca um entendimento com os Estados Unidos.
Apesar da busca por negociações, a incerteza gerada pelas tarifas americanas impulsiona as empresas brasileiras a explorarem rotas alternativas e a fortalecerem sua presença em outros mercados, visando reduzir a dependência da economia dos EUA e garantir a sustentabilidade de seus negócios em um cenário global cada vez mais complexo.

