Aprovação do fim da escala 6×1 divide sindicatos e empresários; Lula comemora e indústria pede revisão

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6×1 no Senado provocou reações opostas. De um lado, centrais sindicais e o governo celebraram o resultado. Do outro, entidades da indústria, do comércio e dos serviços criticaram a decisão e pediram que o Congresso reveja o texto.

A votação

O plenário do Senado concluiu a votação na noite de quarta-feira (14/10), em dois turnos. O placar foi de 75 votos favoráveis e um contrário. A proposta reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e garante dois dias de descanso por semana. Agora, o texto segue para a promulgação pelo Congresso Nacional, e a mudança passa a valer parcialmente 60 dias depois.

Lula e os sindicatos comemoram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a votação à distância e celebrou o resultado nas redes sociais, destacando que o governo lutou e pressionou para que o Congresso votasse o tema ainda neste ano.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou o fim da escala como uma vitória grande da organização da classe trabalhadora. A Força Sindical atribuiu a aprovação ao diálogo democrático com os diversos setores da sociedade, e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), por meio do presidente Ricardo Patah, ressaltou a atuação das entidades para transformar a pauta em avanço concreto. As centrais, porém, reconhecem que a transição exigirá negociação e adaptação nos setores que funcionam todos os dias da semana.

Empresários falam em risco de inflação e demissões

Entre os empresários, o tom foi de crítica. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a medida vai provocar perdas econômicas, demissões, repasse de custos à população e inflação, e também questionou a votação em período eleitoral. O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu que o Congresso reavalie a decisão.

A CNI calcula que a redução da jornada pode elevar os custos de produção em até R$ 267 bilhões, com queda de 0,7% no PIB e inflação média de 6,2%. Esses números são estimativas da própria entidade, e os estudos sobre os efeitos da mudança no PIB e nos preços divergem.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) também criticou a aprovação e cobrou mudanças. O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, chamou a decisão de “tragédia socioeconômica anunciada”. Já o agronegócio ameaçou levar o caso à Justiça.

Com informações do Ric.com.br, CNN Portugal e Cenário MT.

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