Grávida encontrada morta em Cachoeiro foi atraída pelo ex-marido, que confessou o crime; atual companheira dele também foi presa

Diego Marques Alves, de 31 anos, e a atual companheira, Geovana Maria Vieira, de 24 anos, foram presos por ocultação de cadáverCréditi: Redes sociais

A Polícia Civil informou que Juliana Paulo Pinto, de 29 anos, grávida de cerca de quatro meses, foi morta pelo ex-marido, Diego Marques Alves, de 31, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. O homem confessou o crime, e o corpo da vítima foi encontrado carbonizado em uma área rural. Ele e a atual companheira, Geovana Maria Vieira, de 24 anos, foram presos em flagrante por ocultação de cadáver.

De acordo com a investigação, o suspeito sabia que Juliana estava grávida. Ele alegou à polícia que agiu por causa de desentendimentos e problemas judiciais com a ex-mulher, entre eles medidas protetivas. Geovana também é investigada por suspeita de ter participado de ações para esconder o corpo.

O desaparecimento

O caso começou na segunda-feira (12), quando o atual companheiro de Juliana registrou o desaparecimento dela na Polícia Civil. O delegado Felipe Vivas, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro, explicou que, durante as buscas, uma policial conversou com a mãe da vítima e descobriu que Juliana havia saído de casa de madrugada, com o filho de 11 anos que tem com Diego, para se encontrar com o ex-marido, de quem estava separada desde o início do ano.

Grávida de 4 meses, Juliana foi encontrada morta e queimada em Cachoeiro de Itapemirim |
Crédito: Acervo familiar

Segundo a polícia, o homem levou mãe e filho de volta para casa, no bairro Rui Pinto Bandeira. Pouco depois, voltou a falar com Juliana e pediu que ela retornasse sozinha, sem o menino. Ela avisou o filho de que iria encontrar o pai de novo e saiu.

O que mostram as câmeras

Imagens do videomonitoramento mostraram o Fusca usado pelo suspeito indo em direção ao bairro Zumbi, onde ele mora, por volta das 3h20. O carro reapareceu perto das 5h, em um posto de combustíveis na região da avenida Jones dos Santos Neves. Geovana estava no veículo e, segundo o delegado, sugeriu abastecer mais, porque o destino era distante. Outras imagens mostram Diego abrindo o capô dianteiro do Fusca, onde fica o compartimento de bagagem, com um pano escondido no local.

Carro de suspeito foi flagrado por câmeras de segurança no muncípio durante a madrugadaPolícia Civil

Depois disso, o carro seguiu para Monte Líbano, na zona rural, onde o corpo foi encontrado na quarta-feira (14). O suspeito voltou por volta das 6h, passou pelos bairros São Luís Gonzaga e Coronel Borges e levou a companheira ao Hospital Evangélico.

A confissão

Em depoimento, Diego contou que atacou Juliana dentro da própria casa, deixando-a inconsciente com um golpe de mata-leão. Segundo o delegado, ele disse que desmembrou o corpo e o levou de carro, junto com Geovana, até o local onde foi queimado. O corpo foi achado carbonizado, ao lado de uma sandália da vítima. Para a Polícia Civil, o crime foi premeditado, e a relação do casal tinha histórico de conflitos e agressões.

Juliana havia conseguido uma medida protetiva contra o ex-marido em maio. Em julho, foi pedida também uma medida protetiva de urgência em favor do filho do casal, mas o pedido ainda aguardava decisão da Justiça.

Grávida desaparecida em Cachoeiro é encontrada morta e carbonizada em área ruralCrédito: Divulgação | PCES

O papel da atual companheira

Diego tentou assumir sozinho a responsabilidade, dizendo que Geovana dormia durante o crime. A polícia, porém, suspeita que ela participou da ocultação do corpo. Além de estar no carro, ela teria enviado mensagens e fotos a uma amiga para dizer que estava em casa no horário do crime, numa tentativa de criar um álibi, segundo a investigação.

A polícia informou que não há confirmação de violência sexual e que foi identificada uma lesão na cabeça da vítima.

Prisão e próximos passos

Os dois foram autuados por ocultação de cadáver e levados ao sistema prisional. A Polícia Civil também pediu a prisão temporária de ambos na investigação por suspeita de feminicídio e de aborto sem consentimento, e os pedidos aguardavam análise da Justiça. A reportagem original tentava contato com a defesa dos dois até a publicação.

Com informações de A Gazeta.

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