A 90 dias da eleição, racha na direita favorece Lula, que enfrenta pressão por tarifaço e escândalo político

Faltando exatamente três meses para as eleições presidenciais de 2026, o cenário político nacional ferve com reviravoltas na oposição e desafios econômicos e de imagem para o governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, lidera as pesquisas eleitorais, beneficiado por uma crise interna severa no principal bloco da direita. Contudo, o Palácio do Planalto enfrenta forte pressão devido aos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master e a ameaça de um “tarifaço” comercial vindo dos Estados Unidos.

Crise e racha na família Bolsonaro enfraquecem oposição

O principal oponente de Lula na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — lançado como o herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro —, enfrenta o desgaste de um rompimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A crise interna veio a público após Michelle postar vídeos nas redes sociais expondo desentendimentos e alegando ter sido maltratada pelo enteado em uma conversa telefônica. O estopim foi a articulação do partido no Ceará, mas os bastidores revelam disputas de espaço de longo prazo, intensificadas desde a prisão de Jair Bolsonaro em 2025 e a consolidação de Flávio como o pré-candidato do grupo ao Planalto. Como reflexo do racha, Michelle renunciou à presidência do PL Mulher e sua provável candidatura ao Senado perdeu força.

Essa divisão reflete diretamente nas intenções de voto. Segundo dados da última pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Lula lidera o primeiro turno com 46,3% contra 36,6% de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, o petista soma 48,8% contra 42,3% do senador — uma queda de 5,7 pontos percentuais para o parlamentar da oposição em comparação a abril.

Os gargalos do governo: Caso Master e a pressão dos EUA

Apesar da vantagem numérica, o governo Lula entra no período de defeso eleitoral sob o impacto de crises domésticas e internacionais:

  • O Escândalo do Banco Master: As investigações de fraudes bancárias que antes miravam nomes da oposição avançaram sobre a base aliada do governo. No último mês, uma operação da Polícia Federal atingiu o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), suspeito de receber vantagens financeiras para atuar em favor da instituição financeira. Para estancar o desgaste político a poucos meses do pleito, Jaques Wagner foi substituído pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) na liderança.
  • A Ameaça do Tarifaço: O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) recomendou a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, motivada por uma investigação sobre práticas comerciais. O governo dos EUA tem até o dia 15 de julho para decidir se aplica ou não a sanção.

A guerra de narrativas econômicas

A questão das tarifas americanas virou combustível eleitoral. Flávio Bolsonaro enviou um ofício ao governo de Donald Trump solicitando o adiamento da taxação para depois das eleições, sob o argumento de que a crise econômica decorrente do tarifaço poderia ser usada politicamente por Lula. Por outro lado, o Itamaraty e o Planalto acusam os irmãos Bolsonaro de agirem nos bastidores para prejudicar o país por interesses eleitorais.

Para tentar barrar a medida de Washington, o governo brasileiro apresentou uma proposta de compensação (um “mapa do caminho”) que prevê o endurecimento de fiscalizações em áreas sensíveis para os americanos, como comércio digital, propriedade intelectual e desmatamento ilegal. Fontes ligadas às negociações indicam que o Pix foi classificado pelo Brasil como inegociável e ficou de fora do documento. Técnicos de ambos os países correm contra o relógio e realizam novas reuniões na tentativa de selar um acordo antes do prazo final de meados de julho.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, coletada entre os dias 26 e 30 de junho e divulgada em 1º de julho de 2026, trouxe dados detalhados que mostram uma ampliação da vantagem do presidente Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O levantamento capturou a reação do eleitorado aos dois grandes fatos recentes: a crise pública na família Bolsonaro (o desentendimento entre Flávio e Michelle) e a repercussão da operação da PF que atingiu a base do governo Lula (o Caso Banco Master).

Os números detalhados dos principais cenários demonstram essa dinâmica:

Primeiro Turno (Cenário Principal)

No cenário mais amplo com múltiplos candidatos, Lula sustenta uma liderança isolada, com quase dez pontos percentuais de vantagem sobre o principal nome da oposição.

  • Lula (PT): 46,3%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 36,6%
  • Renan Santos (Missão): 7,8% (consolidado em terceiro lugar)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 2,9%
  • Romeu Zema (Novo): 2,0%
  • Joaquim Barbosa (DC): 1,0%
  • Outros candidatos somados: 1,5%
  • Brancos, nulos e indecisos: 1,2%

Segundo Turno (Lula x Flávio Bolsonaro)

O recorte de segundo turno foi o que mais chamou a atenção dos analistas. Em abril, os dois apareciam empatados tecnicamente com 48% cada. No levantamento atual, Flávio recuou 5,7 pontos percentuais.

  • Lula (PT): 48,8%
  • Flávio Bolsonaro (PL): 42,3%
  • Brancos, nulos e indecisos: 8,9%

Outros Cenários de Segundo Turno Testados

A pesquisa também mediu a força de Lula contra outros nomes da direita e centro-direita, mostrando que o atual presidente vence todas as simulações:

  • Lula 48,6% x 43,1% Jair Bolsonaro (PL)
  • Lula 48,7% x 38,9% Michelle Bolsonaro (PL)
  • Lula 48,0% x 39,0% Ronaldo Caiado (PSD)
  • Lula 48,2% x 38,5% Romeu Zema (Novo)

O Peso das Crises Recentes no Eleitorado

O instituto também consultou os eleitores especificamente sobre o impacto político dos escândalos que abalaram os dois lados:

  • O Racha na Direita: Para 64,1% dos entrevistados, a briga pública envolvendo Michelle e Flávio Bolsonaro prejudica a pré-candidatura do senador ao Palácio do Planalto.
  • O Caso Banco Master: Para 61,2% dos eleitores, o envolvimento do senador Jaques Wagner (PT) nas investigações de fraude bancária tem potencial para arranhar e prejudicar a campanha de reeleição de Lula.

Ficha Técnica: A pesquisa ouviu 4.999 eleitores por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de apenas 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o número BR-04582/2026.

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