Casal investigado por morte da filha de 4 anos em Resplendor é preso no ES; pais estavam em bar quando ela passou mal em casa

Um casal investigado pela morte da filha, de quatro anos, em Resplendor foi preso em Santa Teresa (ES). Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a menina morreu após broncoaspirar o próprio vômito.

“No momento do fato, a mãe e o padrasto haviam saído para um bar, deixando a criança, juntamente com outras três, de 12 anos, seis anos e um bebê de seis meses, sozinhas em casa”, detalhou o MPMG.

Os mandados de prisão preventiva contra o homem e a mulher foram expedidos pelo crime de abandono de incapaz, no sábado (9), mesmo dia em que eles foram presos em flagrante e soltos.

“A Polícia Militar chegou a prender o casal em flagrante, mas a autoridade policial plantonista não ratificou a prisão, e eles foram liberados. Segundo apurado, fugiram para o município de Santa Teresa, no Espírito Santo. Assim que tomou conhecimento da decisão, o Ministério Público, atuando no plantão, protocolou imediatamente o pedido de prisão preventiva, deferido pelo juízo plantonista em razão da gravidade do caso e do risco à ordem pública.”

Ainda conforme o MPMG, o casal foi localizado por meio da cooperação das polícias militares de Minas Gerais e do Espírito Santo. Os mandados foram cumpridos em Vale Tabocas, na zona rural. O homem já cumpria pena pelo crime de roubo.

“O MPMG destaca a atuação eficiente das forças de segurança e reafirma que a situação dos três irmãos sobreviventes está sob rigoroso acompanhamento do Conselho Tutelar e do próprio Ministério Público, garantindo a proteção integral das crianças.”

A defesa informou que solicitará à justiça que o casal responsa o processo em liberdade.

Pais estavam em bar

No último sábado (9), a criança de 4 anos morreu após passar mal dentro de casa, em Resplendor. Segundo a Polícia Militar, ela havia sido deixada com as irmãs e um adolescente na residência enquanto a mãe e o padrasto estavam em um bar. Os dois foram presos em flagrante por abandono de incapaz.

A PM foi chamada ao hospital da cidade, onde a menina deu entrada já sem vida. A médica que fez o atendimento percebeu que a garota estava com secreção nas narinas. Os enfermeiros e técnicos em enfermagem disseram que ela já havia sido atendida anteriormente após episódios de mal-estar e vômito.

Os policiais também conversaram com o padrasto da criança que faleceu. Ele disse que trabalhou até a noite e que seguiu para um lugar que preferiu não revelar. Ao receber uma ligação do filho adotivo, de 12 anos, informando que a irmã estava passando mal, foi para casa e a levou ao hospital.

O homem confirmou a versão da esposa sobre a babá, complementando que os menores de idade haviam sido deixados sob a responsabilidade de sua prima.

Conforme a PM, apesar da versão do homem e da mulher, o adolescente contou que estava sozinho no imóvel com as três meninas, sendo duas de 4 e 6 anos, e uma bebê de 6 meses.

Ele relatou que uma das meninas foi até ele, que estava jogando videogame, e contou que a criança estava passando mal. Ele foi até ela, limpou o vômito e a cama. Após se queixar de visão embaçada, a garota desmaiou. Em seguida, o adolescente ligou para o pai adotivo.

Os militares conseguiram localizar a mulher apontada como a babá. Ela afirmou que estava em um bar com o casal e que foi coagida a dizer que cuidava dos menores, mas afirmou que não iria mentir para a polícia.

Diante dos levantamentos, o homem, de 27 anos, e a mulher, de 28 anos, foram presos em flagrante e levados para a delegacia da Polícia Civil.

O corpo da menina foi levado ao Posto Médico-Legal.

Nota do Conselho Tutelar

O Conselho Tutelar informou que “desde o primeiro momento, foram adotadas as medidas necessárias para garantia da proteção integral das crianças sobreviventes.” As duas meninas e o adolescente entregue aos cuidados de outros familiares. O garoto não era filho do casal.

O órgão informou ainda que o caso será acompanhando, para que seja prestado atendimento psicológico, educacional e assistencial. O caso também será encaminhado ao Ministério Público.

“O Conselho Tutelar esclarece que, até o momento da ocorrência, não havia registros anteriores relacionados a situações de mesma natureza envolvendo esta família.”

Por fim, o Conselho Tutelar destacou que denúncias de violação de direitos de criança e adolescentes devem ser feitas aos órgãos de proteção:

  • Polícia Militar – 190
  • Disque Direitos Humanos – 100
  • Conselho Tutelar de Resplendor (33) 3263-1120 ou (33) 99959-2450

Fonte: g1

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