Black Fraude? Magalu e outras lojas são autuadas pelo Procon durante a Black Friday

A Black Friday continua sendo uma época crítica para o comércio num geral, pois o volume de reclamações aumenta consideravelmente. Afinal, são muitos consumidores relatando frustração por não receber os produtos, entregas com avarias, pedidos cancelados, ou até mesmo por terem sido enganados pelas ofertas.

O maior evento comercial do mundo já é apelidado no Brasil de “Black Fraude”, e não é por acaso. Ao longo do ano, produtos de diferentes categorias recebem reajustes em seus preços que vão além das oscilações da moeda, que tem relação direta com os impactos sofridos pela economia norte-americana, principalmente quando analisamos a categoria de tecnologia

No TudoCelular, ao longo dos últimos dias, milhões de usuários acessaram o site em busca de ofertas. Mesmo filtradas pela a equipe para entregar os melhores valores aos leitores, nem sempre alcançam o nível de economia que o público espera. E não é por acaso, já que toda data de números combinados, ou aniversário do varejo, vira motivo para promoção.

Então, quando chega o momento de grande expectativa por economia e ela não vem na proporção esperada, isso frustra os compradores. Com isso, o nível de reclamações nas redes sociais foi enorme, mas o Procon de São Paulo e o site Reclame Aqui receberam registros oficiais variados, impactando negativamente na reputação das principais lojas do varejo e e-commerce em atuação no Brasil: Magalu, AmazonMercado Livre, Shopee, Casas Bahia e Americanas.

Nas redes sociais, a publicação do jornalista Hyldo Pereira, da TV ALPB, viralizou ao mostrar a “Black das Blacks Magalu” em João Pessoa, na Paraíba. O Procon da capital nordestina autuou nove estabelecimentos comerciais durante o plantão Black Friday na última sexta-feira (28).

https://www.instagram.com/hyldinho02/?utm_source=ig_embed&ig_rid=d1a1e2c5-b6dc-4f81-90cb-4cd6e430f901

No geral, grande parte das ações identificaram irregularidades, como desinformação sobre quais produtos estavam na promoção, a ausência dos preços praticados nos últimos 90 dias, desconto abaixo da média que deve ser praticado durante a promoção, e o mais absurdo: valor promocional igual ao valor original.

A descoberta feita na Black Friday da loja física da Magazine Luiza se propagou rapidamente na internet, e gerou milhares de curtidas e comentários em diferentes plataformas. Até o momento, a empresa não se pronunciou sobre o ocorrido.

Apesar de entregar um panorama centralizado, o Procon de São Paulo mostra um padrão de reclamações entre os dias 24 e 28 de novembro. No balanço parcial, ao todo, cada dia teve uma média de 1.600 queixas de consumidores das grandes lojas do varejo e de telefonia.

Em todos os dias, há reclamações em evidência, como a demora na entrega, pedido cancelado após a compra e até mesmo produto ou serviço diferente do contratado.

Dia 25/11 – 1.383 atendimentos

  • Amazon (103 – 7,55%);
  • Mercado Livre (87 – 6,38%);
  • Magazine Luiza/Netshoes/Época Cosméticos/Magalupay/Hub Fintech (65 – 4,77%);
  • Via/Casas Bahia/PontoFrio/Extra.com.br (51 – 3,74%);
  • Vivo/Telefônica (42 – 3,08%).

Dia 26/11/25 – 1.533 atendimentos

  • Amazon (110 reclamações – 7,29%);
  • Mercado Livre (95 – 6,30%);
  • Magazine Luiza/Netshoes/Época Cosméticos/Magalupay/Hub Fintech (71 – 4,71%);
  • Via/Casas Bahia/PontoFrio/Extra.com.br (57 – 3,78%);
  • Vivo/Telefônica (46 – 3,05%).

O nível de reclamações no Procon-SP dá uma estimativa do nível de insatisfação dos clientes pelo Brasil inteiro (Imagem gerada por IA)

Dia 27/11/2025 – 1.695 reclamações

  • Amazon (123 reclamações – 7,26%);
  • Mercado Livre (100 – 5,90%);
  • Magazine Luiza/Netshoes/Época Cosméticos/Magalupay/Hub Fintech (80 – 4,72%);
  • Via/Casas Bahia/PontoFrio/Extra.com.br (61 – 3,60%);
  • Vivo/Telefônica (47 – 2,77%).

Dia 28/11/2025 – 1.873 reclamações

  • Amazon (127 reclamações – 6,78%);
  • Mercado Livre (107 – 5,71%);
  • Magazine Luiza/Netshoes/Época Cosméticos/Magalupay/Hub Fintech (87 – 4,64%);
  • Via/Casas Bahia/PontoFrio/Extra.com.br (66 – 3,52%);
  • Vivo/Telefônica (53 – 2,83%).

O respeitado site Reclame Aqui reúne milhares de queixas dos consumidores a respeito da Black Friday, com informações variadas a respeito do comportamento negativo das principais lojas do varejo nessa data.

No geral, as lojas possuem o mesmo padrão de reclamações: atrasos ou falhas na entrega, pedidos não recebidos, ofertas que pareciam vantajosas, mas não se concretizaram.

Além disso, há reclamações de “propaganda enganosa”, com descontos que não se confirmam na finalização da compra, cupons não aplicáveis, ou produtos indisponíveis mesmo após pagamento, e até mesmo entregas com produtos errados ou danificados.

Black Fraude lucrativa

Segundo informações do InvestTalk, do Banco do Brasil, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) projetou na última quinta-feira (27) que a Black Friday deste ano movimentaria R$ 5,4 bilhões na sexta-feira (28). Caso a estimativa tenha se concretizado, o evento estabeleceu um recorde histórico desde 2010.

Considerando os dados apresentados, o valor representaria um crescimento de 2,4% em relação a 2024, mesmo diante de um cenário econômico marcado por cautela e incertezas. Para a CNC, o consumidor brasileiro continua participando da data, mesmo moderadamente.

A Confederação destaca que o avanço poderia ser maior, mas não é devido ao alto endividamento das famílias, o aumento da inadimplência e o crédito mais caro. Por outro lado, o ambiente econômico traz alguns pontos positivos, como a queda média de 8,3% do câmbio nos últimos 12 meses, fortalecendo o real e ampliando o poder de compra, além do nível de desemprego historicamente baixo, que tem impulsionado o varejo.

Estima-se que a maior parte do faturamento da Black Friday de 2025 virá de três segmentos: hipermercados e supermercados, eletroeletrônicos e utilidades domésticas, e móveis e eletrodomésticos, que juntos devem responder por mais de 60% das vendas. Todavia, ainda não há um relatório final a respeito disso, então os números práticos podem ter sido maiores ou menores.

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