O espectro de uma paralisação com proporções superiores ao movimento de 2018 paira sobre o Palácio do Planalto. Lideranças de diversas regiões do país condicionaram o início de uma greve geral à divulgação de um instrumento normativo pelo governo Lula. Representantes da categoria realizaram uma assembleia nesta quarta-feira, 18, e estabeleceram um novo encontro para esta quinta-feira, 19, com o objetivo de avaliar se as promessas do Ministério dos Transportes suprem o descontentamento com a escalada de valores nos postos de abastecimento e no frete.
Ao portal Poder360, o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, confirmou que os motoristas estão prontos para entrar em greve. A revolta da classe decorre da disparada nos preços, que atingiram a média de R$ 6,58 em meados de março, segundo registros da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O líder classista ressaltou que a insatisfação atual atinge não apenas os autônomos, mas também condutores de transportadoras e motoristas de aplicativos, unificando diferentes frentes contra o custo logístico atual.
Em meio a pressão de caminhoneiros, governo monitora frete rodoviário
Para tentar conter o motim, o ministro Renan Filho anunciou uma regulamentação mais severa contra empresas que ignoram a tabela obrigatória do frete rodoviário. A nova diretriz governamental pretende suspender cautelarmente o direito de contratar transporte de cargas daquelas companhias que desrespeitem o piso de forma sistemática. O Ministério dos Transportes admitiu que a fiscalização comum perdeu eficácia, logo que as transportadoras passaram a contabilizar as multas como simples desembolso operacional, esvaziando o caráter punitivo das sanções vigentes.
A estratégia oficial busca evitar o colapso do abastecimento em um momento de fragilidade econômica. A gestão aposta em medidas preventivas que interrompam a atividade de contratantes e transportadores irregulares antes mesmo da conclusão de processos administrativos. A decisão final dos trabalhadores depende agora da redação final desse decreto e de sinalizações concretas sobre a redução da fatura dos combustíveis.



