Mensalmente, são destinados 4 mil contêineres de exportação pelo Estado Crédito: Vitor Jubini
Desde o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a taxação de 50% aos produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, o Espírito Santo já contabiliza um prejuízo considerável. Mais de 1.500 contêineres deixaram de ser embarcados do estado com destino ao país norte-americano, representando um montante estimado em US$ 70 milhões, cerca de R$ 390 milhões.
O setor de rochas ornamentais é o mais afetado, com 1.200 contêineres parados. O restante da carga inclui café, pimenta-do-reino, gengibre, instrumentos musicais, cosméticos e carne bovina. Segundo Bruno Marques, despachante aduaneiro e diretor comercial da Speed Soluções em Comex, o impacto não se restringe apenas aos embarques. Há previsão de férias coletivas em empresas exportadoras e até o encerramento de setores comerciais focados no mercado externo, principalmente os EUA.
Vale ressaltar que, no primeiro semestre de 2025, as exportações de rochas ornamentais capixabas para os EUA atingiram o recorde de US$ 426 milhões, um crescimento de 24,6% em relação ao mesmo período de 2024, conforme a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). Mensalmente, o Espírito Santo destina cerca de 4 mil contêineres de exportação, com os EUA sendo o destino de 33,9% de tudo que o estado exporta, incluindo aço, celulose, minério e café.
Impacto no Agronegócio: Pequenos produtores de gengibre e café sofrem
Os efeitos da taxação são particularmente severos para o agronegócio capixaba, que possui forte dependência do mercado norte-americano para produtos como gengibre, celulose, café, ovos e pescado. O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destacou que 51% das exportações capixabas de celulose, 98% dos ovos e 58% do valor exportado de gengibre no primeiro semestre foram para os EUA.
“O gengibre já tem contratos sendo suspensos e exportadores deixando de honrar compromissos. Como 99% da produção é da agricultura familiar, o prejuízo atinge diretamente pequenos produtores”, lamentou Bergoli. O setor de pescado também enfrenta dificuldades, com pescadores evitando ir ao mar devido ao aumento do risco comercial.
O café, uma das principais commodities capixabas, também foi duramente atingido. O Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV) reportou que o estado deixou de embarcar cerca de 210 mil sacas para os Estados Unidos, número que, segundo o secretário, já dobrou. “Uma perda sentida pelos dois países, pois 41% do café solúvel produzido no estado é exportado para o país norte-americano”, afirmou Bergoli.
Comitê de Crise e Prejuízo Estimado
Diante do cenário, um comitê de crise, coordenado pelo vice-governador Ricardo Ferraço, se reunirá com exportadores na próxima segunda-feira (28) para traçar estratégias. “Estamos discutindo alternativas com o setor privado, apoiando a busca por novos mercados e oferecendo linhas de crédito. Mas é um processo demorado, que não se resolve da noite para o dia”, salientou Bergoli.
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que a retração na economia capixaba pode chegar a 0,25%, o equivalente a R$ 605 milhões no período, colocando o Espírito Santo entre os estados mais impactados do país.



