Adolescente vai responder por triplo homicídio e ocultação de cadáver — Foto: Reprodução
Um adolescente foi apreendido em Itaperuna, interior do Rio, após confessar o brutal assassinato de seus pais e de seu irmão de 3 anos. Os corpos foram encontrados na quarta-feira (25) em uma cisterna na casa da família, um dia após o jovem e a avó paterna terem registrado o desaparecimento das vítimas.
Inicialmente, o adolescente tentou enganar a polícia com uma história de que a família teria desaparecido ao socorrer o irmão mais novo, que supostamente havia se engasgado com um caco de vidro. No entanto, a farsa foi descoberta quando agentes da 143ª DP, ao checar a versão, não encontraram registros da família em nenhum hospital da cidade.
A Descoberta e a Confissão
A inconsistência na narrativa levou o delegado Carlos Augusto Guimarães, titular da 143ª DP, a solicitar uma perícia na residência das vítimas. “A quantidade de sangue era incompatível com o acidente doméstico que ele narrou para a gente”, revelou o delegado. A perícia foi crucial para a localização dos corpos na cisterna, na área externa do imóvel.
Após a descoberta, o adolescente confessou os crimes com detalhes chocantes. Ele admitiu ter atirado na cabeça do pai e da mãe e no pescoço do irmão. Questionado sobre a motivação para matar o caçula, o jovem afirmou que o fez para “poupar o menino da perda dos pais”.
Motivações Sob Investigação
A polícia trabalha com duas linhas principais de investigação para as motivações do crime. A primeira aponta para um namoro virtual que o adolescente mantinha com uma menina de 15 anos do Mato Grosso. Os pais desaprovavam o relacionamento e teriam proibido uma viagem que a garota exigia.
“Durante a perícia, encontramos uma bolsa de viagem já pronta para viajar. Nela, estavam os celulares das vítimas”, contou o delegado. A polícia já entrou em contato com as autoridades do Mato Grosso para localizar a menina.
A segunda linha de investigação, e igualmente perturbadora, envolve a descoberta de que o adolescente pesquisou em seu celular sobre “como receber FGTS de falecido”. O pai teria direito a receber R$ 33 mil. O delegado Guimarães ressaltou que, independentemente da motivação, “ambas configuram motivo fútil” e que o adolescente “tem muito o que responder na Justiça”.
O Plano e a Frieza
O jovem revelou à polícia que, para cometer os assassinatos, tomou um pré-treino para se manter acordado e esperou a família adormecer no quarto dos pais, o único cômodo com ar-condicionado. A arma do crime, que pertencia ao pai, estava escondida embaixo do colchão do casal.
Após os assassinatos, o adolescente utilizou um produto de limpeza para arrastar os corpos até a cisterna, que ficava a cerca de 4 a 5 metros do quarto. A arma utilizada foi apreendida na casa da avó do adolescente, que a recolheu por medo de que o neto pudesse se machucar. A polícia não acredita que a avó tenha tido participação ou conhecimento do crime.
O delegado Guimarães descreveu o adolescente como “frio, sem remorso”. “Perguntamos se ele se arrependia, e ele disse que não, que faria tudo de novo. As respostas que ele nos deu foram rápidas e o tempo todo ele se autoafirmava como homem. Tinha um ‘que’ de psicopatia. Ele pode ter premeditado tudo ou é um menino muito inteligente”, concluiu o delegado.



